Qual percentual de acerto é bom em questões de concurso?

22 de agosto de 2026
Arte em fundo vinho com a frase "80% de acertos é uma boa média em concursos?" e a marca Professora Monique Mistura.

Oi, Psi!

Existe uma frase que circula em grupo de estudos, em vídeo de dicas e em conversa de concurseira: quando você estiver acertando 80% das questões, está pronta para a prova. Às vezes o número aparece como 70%, às vezes como 85%, mas a promessa é sempre a mesma: existiria um percentual de acerto ideal, uma espécie de sinal verde, e o seu trabalho seria perseguir esse número até alcançá-lo.

Se você anda calculando o seu percentual e se sentindo mal porque ele parece baixo, quero te tranquilizar antes de entrarmos no assunto: um percentual isolado, medido numa semana qualquer, diz muito pouco sobre a sua preparação. Ele pode estar baixo por motivos ótimos e alto por motivos preocupantes. Vamos entender isso melhor?

Estudar para concurso é conviver com incerteza durante meses, e um número redondo oferece uma sensação de controle: se existe uma meta objetiva, existe um jeito de saber se estou indo bem. É compreensível que a crença pegue tão fácil, e ela carrega uma meia verdade, porque acompanhar o desempenho em questões é uma das formas mais honestas de medir a preparação. Só que essa medição não resume a um único número solto, entende?

Eu poderia te entregar aqui um percentual, afirmar que acima de tanto você está segura, e este texto ficaria mais confortável de ler. Não vou fazer isso, porque esse número não existe fora de contexto: ele depende da banca, da concorrência, do peso de cada disciplina e da nota de corte do concurso que você vai prestar, e nada disso eu conheço daqui.

O que dá para construir, e serve para qualquer concurso, é uma direção de leitura desses números.

O que informa de verdade é a curva de cada disciplina

O percentual de uma semana é uma fotografia. Só que o que ensina alguma coisa é o filme: o desempenho da mesma disciplina, anotado semana após semana. Imagine uma(um) candidata(o) que chegou aos 75% em ética profissional depois de ter começado lá embaixo, segue parada perto dos 50% em psicopatologia há um mês e viu as políticas públicas de saúde caírem depois de semanas sem revisão. São três histórias diferentes, que pedem três decisões diferentes, e o percentual geral, aquele que soma tudo, esconde as três dentro de uma média. Percebeu o problema?

Uma disciplina subindo mostra que o seu jeito de estudar aquilo funciona. Uma disciplina estagnada avisa que repetir a mesma estratégia não vai resolver o problema. E uma queda repentina quase sempre está pedindo revisão.

Note, portanto, que nenhum percentual de acerto, sozinho, diz se a sua preparação vai bem. O que diz alguma coisa é o caminho que ele percorre dentro de cada disciplina ao longo das semanas: subindo, parado ou caindo.

A curva se constrói com alguns registros e alguma paciência

Psi, a gente não melhora o que a gente não mede. Veja: você não precisa de planilha sofisticada, mas alguma anotação sobre o seu desempenho você precisa fazer. Um exemplo: oo fim de cada semana, você pode anotar, por disciplina, quantas questões resolveu e quantas acertou. Essa anotação simples já te dará um bom parâmetro.

E, quando uma disciplina passa semanas sem sair do lugar, eu não aumentaria a quantidade de questões às cegas. Eu voltaria aos erros e procuraria o problema:
– Foi falta de teoria?
– Leitura apressada do enunciado, que te confundiu?
– Confusão de conceitos?
– Caiu algo que você nunca havia estudado?

A partir daí, a curva vira instrumento de decisão dentro do seu ciclo de estudos para concursos de Psicologia: a disciplina estagnada ganha mais espaço e você vai ajustando a rota conforme as necessidades vão aparecendo.

Perguntas frequentes

Quantas questões preciso resolver para o percentual ter significado?

Não vou te dar um número mágico aqui também, mas sempre pense assim: é melhor você resolver umas 10 questões, analisando os problemas de cada uma delas, do que resolver 50 questões correndo.

O percentual do simulado vale mais do que o das questões avulsas?

Eles medem coisas diferentes. As questões da rotina mostram o seu domínio de cada assunto logo depois do estudo; já o simulado avalia todas as disciplinas misturadas na mesma prova. A curva por disciplina se constrói melhor com as questões do dia a dia, e o simulado serve para testar sua memória de longo prazo.

Devo me comparar com o percentual de outras candidatas?

Eu não gastaria energia com isso. Esses números vêm de bases diferentes: questões diferentes, resolvidas em momentos diferentes da preparação, muitas vezes de bancas que nem são a sua. A comparação mais honesta que existe é entre você e você mesma de algumas semanas atrás.

O que eu faria hoje no seu lugar

Psi, você não precisa montar uma planilha gigante com todas as disciplinas do edital. Escolha uma só, aquela que mais te preocupa, e registre o desempenho dela no fim desta semana: quantas questões, quantos acertos, de qual banca. Na semana seguinte, repita o registro. Em um mês, você terá a sua primeira curva, e ela vai te contar muito sobre a sua preparação.

Se faltam questões para esse trabalho, reuni provas anteriores no banco de provas de Psicologia, e dá para começar por lá.

Por fim, lembre-se: percentual de acertos não é garantia de aprovação. Porém, se você seguir fazendo ajustes cada vez que perceber problemas em seu desempenho, vai conseguir melhorar progressivamente a cada semana!

Bons estudos!

Com carinho,

Prof. Monique

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Se o difícil é saber o que ajustar na sua preparação, esse é exatamente o trabalho da mentoria: olhar o seu estudo de perto e direcionar as próximas semanas com você.

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Prof. Monique Mistura

Quem escreve

Prof. Monique Mistura

Psicóloga, servidora pública federal, professora e mentora de psis que estão se preparando para concursos públicos de Psicologia.

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