Oi, Psi!
Estudar uma resolução do Conselho Federal de Psicologia exige uma leitura diferente daquela que você faz quando estuda teoria. Vamos conversar sobre isso neste post!
Quando você estuda teoria, o objetivo é compreender a ideia. Se você entendeu o conceito e consegue explicá-lo com as suas palavras, na maior parte das vezes isso já basta para responder à questão.
Com a norma funciona de outro jeito.
O texto de uma resolução foi escrito para criar obrigação, permissão e proibição. Cada palavra ali dentro cumpre uma função, e a troca de uma única palavra muda aquilo que o artigo determina.
É daí que vem a expressão lei seca: é a leitura do texto da norma como ele está escrito, sem resumo no meio do caminho.
Separei abaixo as dúvidas que mais aparecem quando a aluna começa a estudar resoluções e, principalmente, o que eu faria em cada uma delas.
Posso ler a resolução inteira de uma vez?
Esse é o começo mais comum, e o que atrapalha nele é o próprio texto da norma.
Uma resolução tem vários artigos, e o texto normativo é denso, porque foi escrito para não deixar dúvida, e não para ser agradável de ler.
Depois de algum tempo nesse tipo de leitura, você continua passando os olhos pelas linhas, mas já não está processando o que está escrito ali.
Eu leria por blocos: dois ou três artigos por vez, ou uma seção inteira quando ela for curta.
Ao terminar o bloco, eu fecharia o arquivo e escreveria, com as minhas palavras, o que aqueles artigos obrigam, o que eles proíbem e o que eles permitem.
Se não sair nada no papel, aquele bloco precisa ser lido novamente antes de você seguir para o próximo.
O resumo substitui a leitura da resolução?
Não.
O resumo entrega a ideia do artigo, e é exatamente aí que ele ajuda.
Ele é muito bom para revisar, para relembrar a estrutura da norma e para reencontrar rapidamente aquilo que você já leu no original.
O que ele não faz é reproduzir a redação do dispositivo, e é justamente a redação que aparece nas questões mais literais de Psicologia.
Quando a prova cobra detalhe, como quem pode aplicar um teste psicológico, quem assina um documento psicológico, em que condição o sigilo pode ser rompido e a quem cabe guardar o prontuário, a sua fonte precisa ser o texto oficial publicado pelo próprio Conselho.
Eu usaria os dois materiais, com funções separadas: o texto oficial para aprender o artigo e o resumo para revisar depois, ok?
Entender o artigo é suficiente?
Entender o artigo é o começo do estudo da norma.
Depois de compreender o que ele diz, eu voltaria ao texto procurando as palavras que decidem o sentido dele. Elas são poucas, se repetem nas resoluções que o seu edital cobra e são o lugar em que a questão costuma mexer.
| A palavra no artigo | O que ela determina | A troca que aparece na questão |
|---|---|---|
| deve, deverá | obrigação, sem escolha | a alternativa escreve “poderá”, e o que a norma trata como dever da(o) psicóloga(o) na guarda do prontuário aparece como escolha dela |
| pode, poderá | faculdade, existe escolha | a alternativa escreve “deverá” e cria, dentro da avaliação psicológica, uma obrigação que a norma não criou |
| é vedado | proibição | o que a norma veda à(ao) psicóloga(o) na avaliação psicológica aparece como conduta permitida |
| salvo, exceto, ressalvado | abre a exceção da regra | a condição em que o sigilo pode ser rompido é apresentada como se fosse a regra geral |
| desde que, mediante | condição: sem ela, a conduta não está autorizada | a condição que a norma exige para a entrega de um documento psicológico some do enunciado |
| e, ou | requisitos somados ou requisitos alternativos | o “ou” vira “e”, e a questão passa a exigir juntas duas condições que a norma separou para a aplicação do teste psicológico |
| somente, exclusivamente | fecha a lista ou a hipótese | quem pode aplicar o teste psicológico aparece como uma lista aberta, ou o contrário |
| o sujeito do artigo | quem pratica o ato ou responde por ele | quem assina o documento psicológico passa a ser outra pessoa, ou outro órgão |
Eu grifaria essas palavras no próprio arquivo, com uma cor só, porque o grifo aqui marca um tipo de coisa apenas: a palavra que decide o sentido do artigo.
Com várias cores, você acaba gastando tempo escolhendo a cor em vez de ler o artigo.
Ao lado do artigo, eu escreveria o que mudaria se a palavra grifada fosse trocada.
Esse registro é bem mais curto do que a resolução inteira, e é ele que você vai revisar nas próximas semanas.
O nosso Código de Ética é um bom lugar para começar esse treino, porque boa parte do texto dele está escrita como responsabilidade e vedação do profissional. Expliquei como estudar esse documento no artigo sobre o Código de Ética do psicólogo em concursos.
Quando começar a resolver questões de resolução?
Eu não esperaria terminar todas as resoluções do edital.
A questão mostra qual palavra do artigo a banca escolheu para montar a alternativa.
Enquanto você lê sozinha, todas as palavras parecem ter o mesmo peso. Quando você responde algumas questões daquele mesmo artigo, aparece o detalhe que decide a resposta: quem podia assinar aquele documento psicológico, em que condição o sigilo podia ser rompido, o que estava vedado naquela avaliação, percebe?
Eu leria o bloco de artigos e resolveria questões daquele bloco no mesmo dia, ainda dentro do estudo de resoluções.
E, depois de errar, eu procuraria descobrir qual palavra do artigo eu não tinha percebido.
Por onde eu começaria, se o edital lista várias normas
Pelo que está escrito no conteúdo programático.
Nos editais de Psicologia, essas normas costumam aparecer agrupadas por assunto: o Código de Ética, a avaliação psicológica, os documentos escritos pela(o) psicóloga(o) e a atuação com criança e adolescente.
Se o edital nomeia as resoluções, a lista já está pronta, e a ordem é uma decisão sua. Eu começaria pelas que você ainda não abriu nenhuma vez e pelas que aparecem com mais frequência nas provas anteriores de Psicologia daquele órgão.
Se o edital indica apenas o assunto, como avaliação psicológica ou elaboração de documentos, a delimitação vem das provas anteriores.
Em qualquer um dos dois casos, a leitura de norma precisa de um lugar fixo dentro da sua semana. Ela funciona bem como uma disciplina própria dentro do seu ciclo de estudos para concursos de Psicologia, com bloco e tempo definidos como as demais.
Perguntas frequentes sobre estudar lei seca e resoluções do CFP
Preciso decorar o número dos artigos?
Eu não começaria por aí. O número ajuda quando o enunciado cita o dispositivo, mas o que a questão precisa que você saiba é o que aquele artigo determina. A numeração vem depois, e boa parte dela aparece sozinha com a repetição.
Quantas vezes eu preciso ler a mesma resolução?
Mais vezes do que parece necessário. Eu trabalho com sete passagens pela mesma norma, e sei que parece muito quando você lê isso pela primeira vez. Só que as passagens vão ficando mais rápidas: a primeira é leitura, e as seguintes já são revisão do que você grifou.
Posso estudar só pela resolução comentada?
O comentário ajuda a entender o artigo difícil, principalmente no início. Eu o utilizaria ao lado do texto oficial, e não no lugar dele, porque a alternativa da prova costuma nascer da redação da norma.
E se a resolução for alterada ou revogada?
Antes de estudar, confira no site do Conselho Federal de Psicologia se aquele documento continua vigente e se existe alteração posterior. Estudar uma norma revogada leva o mesmo tempo que estudar a norma em vigor, e o conteúdo que você estudou ali não vai ser cobrado, porque aquela norma não está mais valendo.
O que eu faria hoje no seu lugar
Não tentaria ler uma resolução inteira hoje. Escolheria um artigo só.
Grifaria nele as palavras da tabela acima, escreveria ao lado o que muda se cada uma delas for trocada e resolveria três questões sobre aquele mesmo artigo.
Se você acertar as três, a sua leitura daquele artigo está funcionando, e dá para seguir para o próximo. Se errar por causa de uma das palavras que você grifou, é essa palavra que precisa entrar na sua revisão.
Se você ainda não tem questões para fazer esse teste, reuni provas anteriores no meu banco de provas de Psicologia.
Bons estudos!
Com carinho,
Prof. Monique
Mentorias
Quando o conteúdo programático lista várias resoluções e o tempo até a prova é curto, decidir quais delas entram primeiro no estudo é uma escolha difícil de fazer sozinha. Esse é um dos ajustes que a gente faz junto na mentoria, olhando o edital da sua prova e o tempo que você tem por semana.
Quem escreve
Psicóloga, servidora pública federal, professora e mentora de psis que estão se preparando para concursos públicos de Psicologia.
Gostou deste texto?
Obrigada, psi!