Oi, Psi!
É provável que você já tenha montado uma planilha de estudos e depois se perguntado: por que eu nunca cumpro o que eu mesma escrevi? Será que me falta disciplina? O problema é a planilha, e eu deveria montar outra? Ou é a minha vida que não cabe em cronograma nenhum?
Antes de qualquer coisa, quero te tranquilizar em relação a um ponto: na maior parte dos casos que chegam até mim, o cronograma de estudos para concurso de Psicologia falhou por ter sido montado na ordem errada. E ordem se conserta.
Significa dizer que cronograma se monta de trás para frente: primeiro a sua semana real, e só depois as matérias. Quem inverte essa ordem cria um documento que já nasce impossível, e passa os meses seguintes se sentindo em dívida com uma planilha.
Vamos a isso então? Separei os cinco erros que eu mais vejo nos cronogramas que as concurseiras me mostram, e eles quase sempre aparecem juntos.
Erro 1: “primeiro eu monto a planilha, depois eu vejo onde ela encaixa”
Esse é o erro que sustenta todos os outros. Antes de escolher qualquer matéria, o que eu faria é abrir a semana e marcar o que é fixo e inegociável: trabalho, atendimentos, deslocamento, filhos, sono, compromissos de família, aquele treino que é a única coisa que segura a sua cabeça no lugar. Só depois disso eu procuraria os buracos que sobraram. Eles são menores do que a sua imaginação, e são reais, que é o que importa.
Por exemplo: uma psicóloga que trabalha de segunda a sexta consegue 1h30 em quatro dias da semana e três horas no sábado. São nove horas semanais.
Nove horas dá para fazer uma preparação séria, desde que sejam nove de verdade: cronograma inflado produz culpa, e culpa não passa em concurso, ok?
Erro 2: “segunda é dia de psicopatologia”
Isso não chega a ser um cronograma, é uma etiqueta. Quando chega a hora, você senta e ainda precisa decidir o que fazer com psicopatologia: ler qual capítulo, em qual material, resolver questão ou não, revisar o quê. Todas essas decisões custam energia, e elas costumam ser tomadas justamente no momento do dia em que você tem menos energia disponível.
Compare as duas versões:
- Segunda: psicopatologia
- Segunda: psicopatologia, transtornos de humor, aula 4, mais 15 questões e correção dos erros
A segunda versão começa sozinha. Você senta e executa.
Vale o mesmo para a revisão: se ela não tem horário marcado dentro do cronograma, ela simplesmente não acontece, porque revisar sempre parece menos urgente do que avançar em conteúdo novo, percebe?
Erro 3: “se eu perder a terça, eu compenso na quarta”
A sua semana vai quebrar. Isso vale para qualquer plano com mais de trinta dias, e é por isso que todo cronograma que funciona tem um piso combinado com antecedência, decidido hoje, numa linha só, para o dia em que tudo der errado: se hoje nada funcionar, eu ainda faço 20 minutos de questão da matéria da vez.
Esse piso existe para impedir o pensamento que faz o estrago de verdade, aquele “já perdi segunda e terça, começo de novo na semana que vem”. Uma semana inteira perdida por causa de dois dias ruins é o padrão mais caro de toda a preparação.
E não transforme atraso em dívida. Se você não estudou avaliação psicológica na terça, siga o plano adiante, porque a preparação é longa o bastante para aquele assunto voltar naturalmente na próxima volta do ciclo de estudos para concursos de Psicologia.
Erro 4: “o edital saiu, agora eu divido o tempo pelo número de questões”
Antes do edital, o cronograma serve para construir base e criar hábito, e pode até ser generoso com as matérias que você gosta mais. Depois que o edital sai, ele vira ferramenta de alocação: você olha quantas questões cada bloco vale, quanto tempo falta e onde está o seu ponto fraco, e redistribui.
Só que peso de matéria não é a única regra que um edital carrega.
Por exemplo: eu já vi edital da nossa área com 50 questões de conhecimentos específicos e 20 de conhecimentos gerais que exigia, além da nota total, 50% de acerto em cada disciplina, separadamente. Quem distribuiu o tempo só de forma proporcional ao número de questões podia acertar 45 das específicas, errar Português e ser eliminada mesmo assim.
O cronograma pós-edital precisa dar conta dessa regra também. Por isso a primeira coisa a fazer quando o edital sai é ler as regras de aprovação, e não o conteúdo programático.
Erro 5: “não estou conseguindo cumprir, vou montar outro cronograma”
Antes de refazer tudo, eu deixaria rodar duas ou três semanas e responderia:
- você cumpriu a maior parte dos blocos?
- alguma matéria está sendo adiada toda semana?
- você está resolvendo questões, ou só lendo?
- a revisão aconteceu?
- o seu percentual de acerto mudou para algum lado?
Se uma matéria é sempre a sacrificada, eu não mexeria na planilha inteira. O problema costuma estar no horário em que ela está. Mude ela de lugar primeiro, e só troque de cronograma se o desvio continuar depois disso.
Um cronograma de estudos vale exatamente o que você consegue cumprir dentro da semana que você tem de verdade, e não dentro da semana que você gostaria de ter.
Perguntas frequentes sobre cronograma de estudos para concurso de Psicologia
Quantas horas por dia devo estudar?
A carga que você consegue sustentar por meses, e não a que parece impressionante numa planilha. Nove horas semanais cumpridas rendem mais do que vinte planejadas.
Posso estudar só à noite?
Pode, se for o horário em que você tem cabeça. Eu testaria por duas semanas e compararia o seu percentual de acerto com o de outro horário, porque a impressão engana.
Preciso estudar todos os dias?
Não. Regularidade semanal importa mais do que uma regra diária que você vai quebrar no terceiro dia.
Devo refazer o cronograma quando atraso?
Só quando o desvio virar padrão. Atraso isolado se resolve continuando, e não replanejando.
Cronograma e ciclo de estudos são a mesma coisa?
Não. O ciclo diz a ordem das matérias, e o cronograma diz quando você tem tempo para elas.
O que eu faria hoje no seu lugar
Eu não montaria cronograma nenhum hoje. Faria só a primeira parte: abriria a minha semana e marcaria tudo que é fixo, sem otimismo nenhum. Depois somaria o que sobrou.
Esse número, seja ele nove horas ou três, é o único ponto de partida honesto que existe, e ele quase sempre surpreende quem faz essa conta pela primeira vez. Com ele na mão, montar o resto leva vinte minutos.
E se você ainda não escolheu o alvo, eu olharia antes os editais abertos para psicólogos, porque a data da prova muda tudo no planejamento, concorda?
Ninguém pode te garantir aprovação, e eu não vou fingir que posso. O que eu posso te dizer é que planilha que não cabe na sua semana não chega a ser um plano de estudo.
Espero ter ajudado!
Bons estudos!
Com carinho,
Prof. Monique
Mentorias
Cronograma que se cumpre sozinha é raro. Na mentoria a gente monta com o tempo que você tem de verdade e revisa toda semana, com a data da sua prova no horizonte.
Quem escreve
Psicóloga, servidora pública federal, professora e mentora de psis que estão se preparando para concursos públicos de Psicologia.
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Obrigada, psi!