Oi, Psi!
Depois da análise da discursiva da SEDES-DF, voltei ao caderno da prova objetiva. Li as 60 questões ao lado do gabarito preliminar que a Quadrix divulgou em 9 de setembro de 2026 e dos resumos, do cronograma e dos treinamentos que fizemos na mentoria, para responder a uma pergunta: o que a banca cobrou, e de que forma?
Como a prova objetiva foi organizada
A prova do cargo de Especialista em Desenvolvimento e Assistência Social, especialidade Psicologia, teve 60 questões em três blocos: 20 de Conhecimentos Específicos da Especialidade, 20 de Conhecimentos Gerais e 20 de Conhecimentos Específicos Comuns ao cargo, que é o bloco de LOAS, SUAS, direitos e programas do Distrito Federal. Pelo edital, as 20 questões gerais tinham peso 1 e valiam 20 pontos, e as 40 questões específicas tinham peso 2 e valiam 80 pontos. Para não ser eliminada(o), a(o) candidata(o) precisava de 10 pontos em gerais e de 40 pontos em específicos, o que corresponde a 20 acertos entre as 40 questões específicas.
Que tipo de questão a Quadrix elaborou?
Nas 20 questões da especialidade, a banca não perguntou uma única vez sobre história da Psicologia, abordagens teóricas ou critérios diagnósticos. Todas as 20 partiram de uma situação de trabalho no SUAS, como uma mãe e uma filha chegando ao CRAS, um homem em situação de rua atendido no Centro Pop ou um adolescente em liberdade assistida, e exigiram que a(o) candidata(o) identificasse a conduta ou a análise correta.
Vale observar como a banca construiu essas questões. A alternativa correta foi sempre aquela que acolhia a pessoa, avaliava o contexto, integrava as dimensões do caso e articulava a rede de serviços. As alternativas erradas faziam o contrário: adiavam a proteção, isolavam um profissional ou um serviço, padronizavam o atendimento, transferiam o caso ou fechavam um diagnóstico antes da hora.
No bloco comum ao cargo, a banca foi mais literal. Onze das 20 questões repetiram ou trocaram a redação de uma norma, como o art. 6º da LOAS, a definição de pessoa com deficiência da Lei Brasileira de Inclusão e a descrição do PAIF na Tipificação Nacional. Nesta prova, as trocas foram de prazo, de órgão e de obrigação: um prazo de 24 horas que virou 48 horas, uma comunicação ao juiz que virou comunicação ao conselho tutelar e um plano obrigatório que virou facultativo. Cinco questões desse bloco cobraram os programas do Distrito Federal, como o Cartão Prato Cheio, o Cartão Gás e os benefícios eventuais.
Na parte de Psicologia, a Quadrix cobrou a conduta correta diante de um caso. Na parte comum ao cargo, cobrou o texto da norma. Preparar-se para essa banca significa treinar as duas coisas.
Existe possibilidade de recurso?
Não encontramos questão em que o gabarito preliminar estivesse errado. Um recurso contra o gabarito de uma prova objetiva só prospera quando a alternativa apontada como correta contraria a norma ou quando há duas alternativas igualmente defensáveis, e nenhuma das 40 questões específicas se encaixou nessas duas situações. Em todas elas, a alternativa da banca era a única compatível com a lei, com a resolução ou com o raciocínio da política pública.
Quem ainda quiser conferir por conta própria tem prazo: pelo cronograma do edital, o recurso contra o gabarito preliminar pode ser interposto de 10 a 16 de setembro de 2026, pela página de acompanhamento da inscrição.
Por que a média de acertos deve ser alta
Uma prova em que o raciocínio das questões de Psicologia é previsível e as questões de legislação repetem o texto da norma tende a produzir muitos acertos entre as pessoas que estudaram o edital. Por isso, minha expectativa é de uma média de acertos alta nesta objetiva, principalmente nas 40 questões específicas.
Uma média alta muda a leitura do resultado. Quando muita gente acerta muito, a diferença entre as(os) candidatas(os) passa a ser decidida pelas questões de Conhecimentos Gerais, que têm peso menor mas eliminam quem fica abaixo de 10 pontos, e pela prova discursiva, que vale 100 pontos e exige nota mínima de 50. Não existe preparação que garanta aprovação, e eu não vou dizer isso para você, mas existe uma forma de olhar para esta prova que ajuda a entender onde a classificação será definida.
Se você fez a prova, eu conferiria o gabarito com calma e anotaria, ao lado de cada questão errada, se o erro foi de raciocínio do caso ou de detalhe da norma. Essa anotação diz mais sobre a sua preparação do que a porcentagem de acertos, porque os dois tipos de erro se corrigem de formas diferentes: o primeiro com questões de caso, o segundo com a leitura da lei seca prestando atenção em prazo, órgão responsável e palavra que torna algo obrigatório ou facultativo. Reuni provas anteriores de Psicologia no Banco de Provas para você começar por aí.
Bons estudos!
Com carinho,
Prof. Monique
MENTORIAS
Nas mentorias, a preparação é montada a partir do edital e da banca do seu concurso: o cronograma com cada norma agendada, os resumos direcionados aos itens do edital e o treinamento da discursiva no formato que a banca aplica.
Quem escreve
Psicóloga, servidora pública federal, professora e mentora de psis que estão se preparando para concursos públicos de Psicologia.
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