Como analisar provas anteriores de Psicologia para concursos

22 de outubro de 2026
Arte em fundo vinho com a frase "Como analisar provas anteriores" e a marca Professora Monique Mistura.

Oi, Psi!

Resolver uma prova anterior e analisar uma prova anterior são atividades diferentes, e a segunda quase nunca aparece na rotina de quem estuda para concursos de Psicologia. Vamos conversar sobre ela neste post!

Será que duas provas são suficientes? Preciso resolver a prova inteira antes de analisar? O que eu registro de cada questão? E se a banca do meu concurso ainda não aplicou nenhuma prova de Psicologia?

A maneira de ler uma prova antiga é a mesma para qualquer banca, porque o que muda de um concurso para outro é o conteúdo cobrado e a forma de cobrança, e não o procedimento de leitura.

Para começar, você precisa de duas ou três provas e de um lugar para anotar o que encontrar.

Analisar uma prova é a mesma coisa que resolver uma prova?

Não.

Quando você resolve uma prova anterior, a informação produzida é sobre você: os assuntos que domina, os erros que se repetem e o tempo que gasta em cada questão.

Quando você analisa uma prova anterior, a informação produzida é sobre a prova: os assuntos que foram escolhidos, a fonte de onde a resposta correta parece ter sido retirada e a forma como os enunciados foram construídos.

As duas atividades são úteis e respondem perguntas diferentes, então não faz sentido escolher entre uma e outra.

A análise não exige que você saiba responder à questão.

Você pode ler cada item com o gabarito ao lado, sem tentar acertar nada, apenas para observar o que foi cobrado ali e de que maneira. Por isso, a análise pode começar bem antes de você concluir o conteúdo programático.

Quantas provas eu preciso para enxergar um padrão?

Duas ou três provas de Psicologia da mesma banca já mostram bastante coisa.

Com uma prova apenas, você não consegue separar o que é recorrente do que foi escolha daquela edição, porque todo assunto que aparece ali aparece em tudo o que você olhou.

A partir da segunda prova, a repetição passa a significar alguma coisa, porque um assunto que aparece nas duas tende a ser uma escolha mais constante do que um assunto que apareceu uma única vez.

Se houver mais provas de Psicologia daquela banca disponíveis, vale olhar mais, dando preferência às mais recentes, porque conteúdos programáticos e classificações se atualizam com o tempo.

E se houver poucas provas de Psicologia da banca do seu concurso?

Nesse caso, dá para combinar duas fontes: provas da mesma banca em outras áreas, que mostram o tamanho dos enunciados e a forma de construir as alternativas, e provas de Psicologia de outras bancas, que mostram como os conteúdos da nossa área costumam ser cobrados.

O momento da sua preparação também muda essa escolha.

Quem ainda não tem um concurso definido aproveita mais olhando provas de Psicologia de bancas variadas, porque o objetivo nessa fase é reconhecer a base de conteúdos que aparece com frequência nos editais da nossa área. Quem já tem o edital na mão prioriza a banca daquele certame e compara o que as provas anteriores cobraram com o conteúdo programático publicado, que é o documento que manda. Essa comparação pode ser feita a partir dos editais abertos para Psicologia.

O que observar em cada questão

Eu separaria a observação em três registros. Cada um deles responde a uma pergunta diferente sobre a prova.

1. Qual assunto aparece de novo

O primeiro registro é o mais simples: anotar o assunto de cada questão, com o nome que ele tem no conteúdo programático.

Em vez de escrever apenas “psicopatologia”, escreva o recorte que apareceu, como “critérios diagnósticos dos transtornos de ansiedade” ou “diferença entre delirium e demência”, porque é esse nível de detalhe que vira decisão de revisão depois.

Ao terminar as provas, você terá uma lista de assuntos com a quantidade de vezes que cada um apareceu.

Essa contagem não diz o que vai cair na sua prova e não funciona como previsão. O que ela mostra é onde a banca já gastou questões nas provas que você olhou. Essa informação serve para decidir qual assunto entra primeiro no seu estudo.

2. De onde a resposta correta parece ter sido retirada

O segundo registro é o que mais muda o seu jeito de estudar aquele assunto.

Leia a alternativa correta e pergunte de onde aquela informação veio.

Em Psicologia, ela pode vir de lugares bem distintos: do texto de uma norma, como um artigo do Código de Ética ou uma resolução do Conselho Federal de Psicologia; de um manual de classificação, quando a questão trata de critérios diagnósticos; ou de um conceito teórico, apresentado com as palavras que a bibliografia da área utiliza.

Essa diferença importa porque cada origem exige um tipo de preparação.

Quando a resposta correta reproduz quase literalmente a redação de um artigo, o resumo continua ajudando na revisão, mas não substitui a leitura da norma no original, porque a troca de uma única palavra altera o sentido do dispositivo. Expliquei como fazer esse tipo de leitura no artigo sobre o Código de Ética do psicólogo em concursos.

Quando a resposta depende de um critério de classificação, o que você precisa é de precisão nos prazos, nos números e no nome de cada quadro.

E quando a resposta depende de um conceito teórico, o trabalho é compreender a lógica daquele conceito, porque a banca pode descrever uma situação e exigir que a(o) candidata(o) aplique o conteúdo ao caso apresentado.

3. Como o enunciado foi construído

O terceiro registro é sobre a forma da questão. Ele costuma passar despercebido.

Observe o tamanho do enunciado, se ele apresenta uma situação concreta ou uma afirmação direta, se as alternativas são curtas ou longas, se aparecem palavras como “exceto” e “incorreto” e se a diferença entre a alternativa certa e a quase certa está em uma palavra só.

Esse registro serve para organizar o seu treino, porque resolver questões de um formato durante meses e encontrar outro formato no dia da prova atrapalha o desempenho.

Se as provas que você analisou partiam de situações concretas e pediam a conduta adequada, treinar apenas com itens de memorização literal não prepara você para o tipo de questão que apareceu ali.

Como registrar isso sem transformar a análise em um trabalho enorme

Uma linha por assunto é suficiente, e copiar enunciados inteiros para o caderno acaba consumindo o tempo que era do estudo.

A tabela abaixo mostra como esse registro pode ficar. Os assuntos que usei são apenas um exemplo de preenchimento, e não o retrato de nenhuma banca:

Assunto Apareceu em De onde a resposta parecia vir O que fazer com isso
Código de Ética: sigilo profissional 3 de 3 provas Texto do artigo, quase literal Ler a norma no original e revisar por questões
CRAS e CREAS: atribuições 2 de 3 provas Descrição das atribuições de cada equipamento Comparar os dois lado a lado
Transtornos de ansiedade: critérios 2 de 3 provas Manual de classificação, com prazo Revisar prazo, nome e critério de cada quadro
Avaliação psicológica: uso de testes 1 de 3 provas Resolução do Conselho Federal de Psicologia Estudar depois dos assuntos que se repetiram

A coluna que você vai usar de verdade é a última, porque é nela que o levantamento se transforma em decisão de estudo.

Se a última coluna ficar vazia em alguma linha, aquele assunto foi registrado e não foi analisado. Nesse caso, volte àquela linha e escreva o que o assunto pede de você: ler a norma no original, comparar dois conteúdos próximos, revisar prazos e nomes ou estudar depois dos assuntos que se repetiram.

O que esse levantamento muda na sua semana de estudo?

Ele muda a ordem do estudo, porque a lista de conteúdos continua sendo a que o edital publicou.

Com os assuntos levantados e o seu próprio desempenho ao lado, aparecem três situações bem diferentes:

  • assunto que se repetiu nas provas e que você ainda não estudou ou erra com frequência: entra primeiro, porque é onde o estudo tem mais chance de mudar o seu resultado;
  • assunto que se repetiu e que você já domina: não precisa de aula nova, e sim de revisão por questões para continuar disponível na memória;
  • assunto que apareceu uma única vez e que você ainda não estudou: continua no plano, porém depois dos anteriores.

Essas prioridades precisam de um lugar para acontecer dentro da semana.

Se a sua rotina ainda não tem uma sequência organizada de disciplinas, vale resolver isso primeiro, porque uma lista de prioridades sem lugar no planejamento costuma ficar só no papel. Mostrei como montar essa sequência no artigo sobre ciclo de estudos para concursos de Psicologia.

Até onde esse levantamento vale

Duas ou três provas mostram uma tendência. Uma tendência não é garantia do que a próxima prova vai cobrar.

Equipes de elaboração mudam, editais são atualizados e um assunto que nunca tinha aparecido pode aparecer, de modo que esse tipo de generalização precisa ser usado com cuidado.

Por isso, nenhum conteúdo do edital deve sair da sua lista por causa do levantamento.

O que ele faz é ordenar o que já estava previsto, mostrando o que você estuda com mais profundidade agora e o que fica para depois. A lista de conteúdos é decidida pelo edital, e as provas anteriores ajudam a decidir a ordem em que você vai estudar essa lista.

Perguntas frequentes

Preciso ter estudado todo o conteúdo antes de analisar provas?

Não.

A análise não é uma avaliação do seu conhecimento, então ela funciona mesmo quando você reconhece pouquíssimos assuntos daquela prova.

Você vai ler a questão com o gabarito ao lado e anotar o assunto, a origem da resposta e o formato do enunciado. Nenhuma dessas três coisas exige que você saiba responder.

Na prática, quem está no começo da preparação também aproveita essa leitura, porque o levantamento ajuda a decidir por onde começar, em vez de estudar na ordem em que os assuntos aparecem no material.

Posso usar prova da mesma banca em outra área?

Pode.

É uma boa saída quando existem poucas provas de Psicologia daquela banca.

A prova de outra área não serve para levantar conteúdo, porque o conteúdo é de outra profissão. Ela serve para o terceiro registro, que é a forma da questão.

Ali você observa o tamanho dos enunciados, se a banca trabalha com situações concretas ou com afirmações diretas, como as alternativas são construídas e o quanto a prova exige literalidade.

Depois você volta para as provas de Psicologia de outras bancas e usa aquelas questões para o conteúdo, que continua sendo o mesmo da nossa área.

Provas muito antigas ainda servem?

Servem, com um cuidado.

Classificações diagnósticas são revisadas, resoluções são revogadas ou substituídas e políticas públicas recebem normas novas, então uma questão antiga pode estar certa para a época e errada hoje.

Por isso vale usar as provas mais recentes para levantar conteúdo e as mais antigas principalmente para observar a forma das questões.

E sempre que um item antigo tratar de norma, confira o texto que está em vigor antes de anotar qualquer coisa como correta.

Com que frequência eu refaço esse levantamento?

Quando aparece informação nova, e não em intervalos fixos.

Uma prova nova da banca que você acompanha é motivo para refazer, assim como a publicação do edital do seu concurso, que pode acrescentar ou retirar conteúdos da lista.

Fora dessas duas situações, refazer o levantamento toda semana ocupa o tempo do estudo e devolve quase sempre o mesmo resultado.

Minha sugestão para você

Eu começaria por um recorte, e não pela prova inteira.

Pegaria duas provas de Psicologia da mesma banca e olharia apenas as questões de ética e de resoluções do Conselho Federal de Psicologia, anotando três coisas em cada uma: o assunto, de onde a resposta correta parece ter vindo e como o enunciado foi construído.

Esse recorte cabe em uma sessão de estudo e já entrega uma resposta útil, porque você termina sabendo se aquele bloco exige leitura da norma no original ou compreensão de conceito. Se o bloco exige a norma, você vai ler o artigo no documento oficial e prestar atenção nas palavras que ele usa, porque a troca de uma palavra muda o sentido. Se exige o conceito, você vai estudar a lógica dele, porque a banca pode descrever uma situação e pedir que você aplique aquele conteúdo ao caso.

Depois de fazer isso uma vez, repetir o procedimento com os outros blocos fica muito mais rápido.

Se você ainda não tem provas para começar esse trabalho, reuni provas anteriores de Psicologia no banco de provas de Psicologia.

Bons estudos!

Com carinho,

Prof. Monique

Mentorias

Depois de levantar os assuntos e a origem das respostas, ainda é preciso decidir o que entra primeiro na semana, o que fica para depois e o que já pode ser revisado apenas por questões. Essa decisão a gente toma junto na mentoria, considerando as provas da banca do seu concurso, o que você já estudou e o tempo que você tem até a prova.

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Prof. Monique Mistura

Quem escreve

Prof. Monique Mistura

Psicóloga, servidora pública federal, professora e mentora de psis que estão se preparando para concursos públicos de Psicologia.

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