Como estudar para a banca Vunesp em Psicologia

19 de outubro de 2026
Arte em fundo vinho com a frase "O que observar numa prova da Vunesp?" e a marca Professora Monique Mistura.

Oi, Psi!

Quando você abre o edital do seu concurso e encontra a Vunesp como banca organizadora, a pergunta que vem em seguida é como estudar para essa banca. Falaremos sobre isso neste post.

O conteúdo de Psicologia continua sendo o mesmo, porque psicopatologia, avaliação psicológica, políticas públicas e as resoluções do Conselho Federal de Psicologia aparecem nos concursos da nossa área independentemente de quem organiza a prova.

O que muda de uma banca para outra é o recorte desse conteúdo e a forma como ele chega até você dentro da questão.

Esse recorte não está descrito no edital, e também não está em um texto que explique o estilo da banca. Ele está nas provas de Psicologia que a Vunesp já aplicou, e é de lá que você pode retirá-lo.

O trabalho, portanto, é de observação: duas ou três provas anteriores, lidas com o gabarito ao lado, com anotação do que elas mostram.

Reuni abaixo quatro erros que aparecem com frequência quando a(o) candidata(o) faz esse trabalho pela primeira vez, junto do que fazer no lugar de cada um.

Preciso procurar um resumo do perfil da Vunesp antes de começar?

A intenção faz sentido. Ler uma descrição pronta parece economizar tempo e dar uma direção antes de abrir a primeira prova.

O problema é que uma descrição genérica não responde à pergunta que mais ajuda na preparação, que é de onde saiu a informação que a banca considerou correta naquela questão.

Essa resposta aparece quando você lê o item e o compara com o gabarito, e não quando lê alguém dizendo como a banca é.

O caminho que rende mais é procurar provas de Psicologia aplicadas pela Vunesp em concursos diferentes e trabalhar com elas. Se você ainda não tem essas provas separadas, reuni provas anteriores da nossa área no banco de provas de Psicologia.

Devo resolver a prova inteira e ver quantas eu acerto?

Resolver a prova e conferir o desempenho é uma atividade útil, e em algum momento da preparação ela precisa acontecer, principalmente em formato de simulado, com tempo fechado.

O objetivo da primeira leitura de uma prova de banca nova, porém, é outro. Essa primeira leitura não mede o seu nível de preparação. Ela mostra como aquelas questões foram construídas.

Quando a leitura termina na porcentagem de acertos, aquela prova entrega um número e deixa de entregar a informação sobre a banca.

Vale ler questão por questão, com o gabarito aberto, anotando duas coisas: qual assunto foi cobrado e de onde parece ter vindo a resposta correta.

Essa segunda anotação costuma cair em um de três lugares:

  • a letra de um documento normativo, como uma resolução do Conselho Federal de Psicologia, o Código de Ética ou uma lei;
  • um conceito teórico, com a definição, a classificação ou a autoria que a Psicologia atribui a ele;
  • a aplicação do conteúdo a uma situação descrita no enunciado, em que a questão apresenta um caso e pede a conduta ou a interpretação adequada.

Essa distinção muda o estudo.

De onde veio a resposta correta O que isso muda na sua preparação
A letra de um documento normativo A leitura do texto original passa a ser necessária, porque o resumo não preserva o prazo, a palavra e a condição que o artigo estabelece
A definição de um conceito A comparação entre conceitos próximos ganha prioridade, porque a alternativa incorreta pode ser o conceito vizinho, como CID-11 e DSM-5-TR ou CRAS e CREAS
A aplicação do conteúdo a um caso Resolver questões com enunciado longo passa a fazer parte do treino, porque conhecer a definição não é suficiente para escolher a conduta

Se boa parte das respostas vier de documentos do Conselho Federal de Psicologia, a leitura da norma no original precisa entrar na sua rotina de estudo. Expliquei como fazer esse tipo de leitura no artigo sobre o Código de Ética do psicólogo em concursos, e a lógica vale para as demais resoluções que aparecem nos editais.

Uma prova da Vunesp já mostra como ela cobra Psicologia?

Uma prova mostra bastante coisa, e olhar uma prova é muito melhor do que não olhar nenhuma.

A dificuldade é separar, dentro daquela prova, o que vem da banca e o que vem daquele edital e daquele cargo.

O conjunto de assuntos cobrados depende do conteúdo programático que foi publicado para aquele concurso, e dois editais de Psicologia podem pedir coisas bem diferentes mesmo tendo a mesma banca organizadora.

Por isso, a lista de assuntos de uma prova não deve ser lida como se fosse a lista da banca. A relação de assuntos que interessa a você é a do seu conteúdo programático, e a prova anterior mostra de que maneira aqueles assuntos foram transformados em questão.

Com duas ou três provas lado a lado você consegue ver o que se repete, e isso uma prova sozinha não mostra.

O assunto presente nas três provas merece um lugar maior na sua preparação. O assunto que apareceu em uma só pode ter vindo do edital daquele concurso, e essa dúvida você resolve comparando com o conteúdo programático da sua prova.

A mesma comparação vale para a forma das questões, como o tamanho dos enunciados, a quantidade de alternativas, a presença de casos para analisar e o nível de detalhe exigido quando a questão trata de uma norma.

Preciso anotar tudo o que apareceu na prova?

Anotar tudo parece seguro, porque dá a sensação de que nenhuma informação se perde.

O resultado, na prática, é uma lista longa de assuntos que não diz o que fazer na semana seguinte.

A observação de uma prova precisa chegar a decisões, e elas são poucas. Três costumam ser suficientes:

  • qual assunto entra no seu ciclo de estudos ou passa a receber um bloco maior de tempo;
  • qual documento normativo você vai ler no texto original, e não em resumo;
  • qual tipo de questão você vai treinar com mais frequência.

Cada uma dessas decisões cabe em uma linha e muda o seu estudo já na próxima semana. Uma lista longa de assuntos não produz essa mudança, porque ela registra o que a prova cobrou sem dizer o que você faz com aquilo.

Preciso trocar o meu material porque a banca é a Vunesp?

Não.

O que você estudou de psicopatologia, de avaliação psicológica, de políticas públicas e de ética profissional continua valendo, porque esse conteúdo não muda junto com a banca.

O que muda é a prioridade e o tipo de treino. Pode ser necessário ler uma resolução no original, resolver mais questões com caso no enunciado ou dar mais espaço a um assunto que aparece com frequência nas provas daquela banca.

Trocar todo o material de lugar no meio da preparação custa semanas, e essas semanas costumam ser mais bem aproveitadas dentro do estudo que já estava em andamento.

Prova de muitos anos atrás ainda ajuda?

Ajuda, com um cuidado.

As normas mudam. Uma resolução pode ter sido revogada, uma classificação diagnóstica pode ter sido atualizada e uma política pública pode ter sido reformulada depois da aplicação daquela prova.

Por isso, a questão antiga serve para você observar como a banca construiu o item, e o conteúdo da resposta precisa ser conferido na versão atual do documento.

Por onde começar a leitura das provas da Vunesp?

Não começaria pela prova inteira. Pegaria uma prova de Psicologia aplicada pela Vunesp e trabalharia com dez questões.

Em cada uma delas, anotaria duas informações: o assunto cobrado e de onde veio a resposta correta.

Dez questões já são suficientes para você perceber se aquela prova se aproxima mais do texto das normas, da definição dos conceitos ou da aplicação do conteúdo a casos descritos no enunciado. É essa percepção que diz qual dos três tipos de estudo precisa de mais espaço na sua semana.

Depois disso, as decisões que saírem da leitura precisam encontrar lugar na sua rotina, e expliquei como organizar essa sequência no artigo sobre ciclo de estudos para concursos de Psicologia.

Esse trabalho não garante a sua aprovação, e eu não quero que você leia este artigo como uma promessa. O que ele faz é diminuir a surpresa no dia da prova, porque você já leu de perto as questões de Psicologia que aquela banca montou.

Bons estudos!

Com carinho,

Prof. Monique

Mentorias

Ler a prova da banca e anotar o que ela mostra é um trabalho que você consegue fazer sozinha. Na mentoria, essa leitura é feita junto com você, e cada decisão que sair dela entra no seu planejamento da semana.

Conhecer as mentorias

Prof. Monique Mistura

Quem escreve

Prof. Monique Mistura

Psicóloga, servidora pública federal, professora e mentora de psis que estão se preparando para concursos públicos de Psicologia.

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