Oi, Psi!
É provável que você já tenha se perguntado, olhando para o tamanho da nossa área: por onde eu começo se não tenho rotina nenhuma? Preciso esperar sair um edital? Tenho que revisar a graduação inteira antes? E se eu começar devagar demais e isso não me levar a lugar nenhum?
Antes de qualquer coisa, quero te tranquilizar em relação a um ponto: o que costuma travar o começo é o excesso de caminhos possíveis. Conteúdo sobra. Numa busca só aparecem psicopatologia, avaliação psicológica, resoluções do Conselho, Português, edital de tribunal, revisão espaçada e planilha, e nenhuma dessas portas se apresenta como a primeira.
Vale separar duas coisas que chegam embaralhadas nesse momento. Uma é o cansaço de olhar para o tamanho da Psicologia e sentir que nunca vai dar conta. Isso é sentimento, é legítimo, e não se resolve com planilha nenhuma. A outra é a pergunta prática de como começar a estudar para concursos de Psicologia com a semana que você tem hoje, e essa tem resposta.
Significa dizer que conteúdo você acumula de qualquer jeito, contanto que continue sentando para estudar. Rotina é outra história: ela se perde na primeira semana ruim, e recuperar custa bem mais caro do que manter.
Vamos a isso então? São quatro decisões, e nenhuma delas exige que você tenha um concurso escolhido.
Nos primeiros meses, o que está sendo construído é a rotina. O conteúdo vem junto, mas ele é o passageiro, e não o motorista.
Decisão 1: comece pelo tempo que cabe na sua semana de hoje, e não pelo que você gostaria de ter
Essa é a preocupação mais comum de quem está no zero, e ela nasce de uma comparação injusta.
Existe uma distância grande entre a rotina que você gostaria de ter e a rotina que consegue cumprir hoje. Quem passou meses sem estudar dificilmente sai do nada para quatro horas líquidas por dia. Nos dois primeiros dias vai, no terceiro atrasa, no quinto acumula, e na segunda semana o cronograma já virou uma lista de dívidas.
Vejamos o que acontece na prática: uma hora estudada de verdade todos os dias rende mais do que quatro horas planejadas e quase nunca cumpridas. A conta parece pior no papel, ok? Só que ela é a que se sustenta.
Se você trabalha, atende, tem filhos e ainda perde duas horas no deslocamento, comece pelo que cabe. Aumentar depois é tranquilo. Voltar de um abandono, não.
Decisão 2: não espere revisar a Psicologia inteira para se sentir pronta
Esse é o segundo nó do começo, e ele é bem específico da nossa área.
Psicologia é imensa. Se você tentar revisar a graduação antes de abrir um edital, não chega nunca. E aqui vale a distinção mais importante deste texto: a prova não cobra a Psicologia da faculdade, cobra a Psicologia que aparece em prova, que é um recorte muito menor e muito mais repetitivo do que parece. São coisas diferentes, percebe?
Enquanto não existe um concurso definido, dá para construir base pelos conteúdos que reaparecem em quase todo edital da nossa área:
- Português;
- ética profissional e resoluções do Conselho Federal de Psicologia;
- psicopatologia;
- avaliação psicológica.
Isso é ponto de partida provisório. Quando o edital chega, é ele que manda, e às vezes ele manda numa direção que ninguém esperava.
Por exemplo: eu já vi edital da nossa área pedir psicopatologia, CID, DSM e testes do SATEPSI, e vi outro, no mesmo ano, que era quase inteiro de Psicologia Organizacional e saúde do trabalhador. Quem estudou para um chegaria no outro com pouca coisa aproveitada. Se quiser conferir isso com os seus próprios olhos, dá para olhar os editais de Psicologia que estão abertos e comparar dois deles lado a lado.
Decisão 3: resolva questão desde a primeira semana, mesmo errando muito
“Quando eu terminar a teoria, começo a fazer questões.”
Esse dia não chega, psi. A teoria nunca acaba, porque sempre dá para ler mais um capítulo, mais um autor, mais uma revisão que promete fechar o assunto.
O que eu faria desde a primeira semana é resolver questão junto com a teoria. Errar em casa é barato. Descobrir a mesma lacuna no dia da prova é que sai caro.
E tem uma coisa que só a questão te mostra: o recorte que o índice do livro esconde. Depois de cinquenta questões de psicopatologia você já percebe quais transtornos aparecem com frequência naquela banca e quais quase não aparecem, e isso nenhum sumário conta.
Decisão 4: deixe a próxima sessão decidida na véspera
Rotina boa é a que reduz decisão. Se toda vez que você abre o computador precisa escolher a matéria, o material, o tempo e o que fazer depois da teoria, metade da energia vai embora antes do primeiro parágrafo.
Deixe isso resolvido na noite anterior, e são só quatro linhas:
| O que decidir na véspera | Exemplo |
|---|---|
| Qual matéria | Psicopatologia |
| Qual material | a aula tal, ou o PDF tal |
| Quanto tempo | 40 minutos |
| Quantas questões no fim | 10 |
É para isso que existem o ciclo de estudos para concursos de Psicologia e o cronograma de estudos. Eles servem para tirar a improvisação do caminho, e não para deixar a sua mesa bonita.
E quando eu perder um dia?
Você vai perder. Todo mundo perde.
Continue no dia seguinte, de onde parou, sem tentar compensar dobrando a dose. Um dia perdido custa um dia. Uma semana perdida por causa do “já estraguei mesmo” custa uma semana, concorda?
Perguntas frequentes sobre como começar a estudar para concursos de Psicologia
Preciso esperar sair o edital para começar?
Não, psi. O pré-edital é o melhor momento para construir base e criar rotina, que são justamente as duas coisas que não dá para fazer com pressa depois que o edital sai.
Preciso estudar todas as áreas da Psicologia?
Não. O recorte vem do edital e das provas anteriores do concurso que você pretende prestar. Dois editais da nossa área podem quase não se encontrar.
É melhor estudar por videoaula ou por PDF?
O melhor material é o que você consegue usar dentro da rotina que tem. Muita gente combina os dois: aula quando o assunto é novo, PDF quando é revisão.
Quantas horas por dia um iniciante deve estudar?
A quantidade que você consegue repetir amanhã e depois de amanhã. Não existe número universal, e número bonito que não se cumpre vale zero.
O que eu faria nesta semana no seu lugar
Eu não montaria cronograma ainda, e também não escolheria concurso ainda. Escolheria um horário, um só, de trinta minutos, e cumpriria esse horário por sete dias seguidos, com a matéria que você quiser.
Depois desses sete dias você vai saber duas coisas que hoje não sabe: quanto tempo você tem de verdade, e a que horas do seu dia esse tempo existe. É com dado real que se monta qualquer planejamento honesto.
Nenhuma rotina oferece garantia de aprovação, e eu nunca vou dizer isso para você. O que dá para construir é constância, e ela começa numa semana de trinta minutos.
Espero ter ajudado!
Bons estudos!
Com carinho,
Prof. Monique
Mentorias
Se o difícil for sustentar a rotina e saber o que fazer em cada semana, é disso que a mentoria cuida: direcionamento de estudo para o seu concurso, com alguém acompanhando o seu ritmo de perto.
Quem escreve
Psicóloga, servidora pública federal, professora e mentora de psis que estão se preparando para concursos públicos de Psicologia.
Gostou deste texto?
Obrigada, psi!