Oi, Psi!
Existe uma diferença grande entre o tempo que você passou sentada na frente do material e o tempo em que esteve concentrada. É sobre essa diferença que vamos conversar neste artigo.
Separei abaixo quatro hábitos que eu vejo com frequência entre as(os) alunas(os), e o que eu faria no lugar de cada um.
“Eu deixo o celular na mesa, mas só olho quando apita”
Quando você para no meio de uma questão para ler uma mensagem, a leitura em si é rápida. O que demora é reconstruir o que você estava fazendo. Você precisa lembrar em que ponto do enunciado parou, quais alternativas já tinha descartado e qual detalhe fazia você acertar ou errar uma assertiva.
Em vez disso, eu deixaria o celular em outro cômodo durante o estudo. Virado para baixo na mesa, ele continua ao alcance da mão, e você precisa decidir de novo não pegá-lo cada vez que lembra dele. Em outro cômodo, essa decisão foi tomada uma vez só, antes de o estudo começar.
“Vou estudando até cansar”
Um bloco de estudo sem hora para terminar não dá nenhuma referência de quanto falta. O estudo se espalha até o cansaço aparecer. Em algum ponto, a leitura deixa de exigir compreensão e vira apenas passar os olhos pelo texto.
Eu abriria o bloco com três coisas decididas antes de começar: a hora de terminar, a tarefa e o material. “Estudar Psicopatologia” não é uma tarefa. “Ler o item sobre transtornos do humor e resolver quinze questões sobre ele” é uma tarefa, porque tem um fim visível. Quando o fim é visível, você percebe na hora em que saiu dele, entende?
Esse bloco precisa de um lugar dentro da sua semana, ao lado das outras disciplinas que a sua prova cobra. É por isso que recomendamos que você monte um cronograma de estudos.
Expliquei como organizar essa sequência no artigo sobre ciclo de estudos para concursos de Psicologia.
“Quando eu travo numa questão, procuro a resposta na hora”
Essa interrupção é mais difícil de perceber, porque ela tem cara de estudo. Você está com o material aberto, procurando uma informação que faz parte do conteúdo programático do seu edital.
Eu marcaria a questão com um sinal, seguiria para a próxima e deixaria a conferência para o fim do bloco. Na correção, as questões marcadas merecem uma anotação à parte, porque são elas que indicam onde o conteúdo ainda não está firme.
“Primeiro eu preciso organizar um lugar adequado para estudar”
O ambiente tem influência, mas ele não deve ser uma condição para você começar: a mesa precisa estar limpa, a casa silenciosa e a semana tranquila. O estudo fica esperando por um conjunto de condições que raramente aparecem juntas… E aí você nunca começa a estudar.
Escrevi sobre esse funcionamento no artigo sobre perfeccionismo nos estudos para concurso.
Do ambiente, o que interfere na concentração é mais objetivo do que parece. São duas coisas: o que está ao alcance da sua mão e o que está no seu campo de visão. Uma mesa com o celular, as contas para pagar e o material de três disciplinas oferece uma alternativa ao estudo cada vez que você levanta os olhos.
Eu deixaria sobre a mesa apenas o material do bloco de estudos que está começando, com o resto guardado fora do campo de visão. Parece uma bobagem, mas faz diferença!
Se a sua casa é barulhenta e isso não depende de você, vale trabalhar com o que depende. Para os horários mais movimentados, eu escolheria tarefas que exigem menos comparação entre conceitos, como revisar uma lista de artigos já estudados. A leitura de conteúdo novo ficaria para o período mais silencioso do seu dia.
Bons estudos!
Com carinho,
Prof. Monique
Mentorias
Quando as interrupções já foram resolvidas e a concentração continua caindo sempre no mesmo ponto, o que costuma estar em jogo é o tamanho dos blocos, a ordem das disciplinas ou o tipo de estudo que você faz dentro deles. É esse ajuste que a gente faz na mentoria, a partir da sua rotina real e do que os seus blocos estão produzindo.
Quem escreve
Psicóloga, servidora pública federal, professora e mentora de psis que estão se preparando para concursos públicos de Psicologia.
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