Oi, Psi!
É provável que você já tenha passado uma tarde inteira arrumando material do concurso, sem estudar nada. Isso é perda de tempo? Se ajuda, por que eu termino o dia me sentindo em falta? E quando é que organizar vira fuga?
Antes de qualquer coisa, quero te tranquilizar em relação a um ponto: organizar não é perda de tempo. Cronograma ajuda, controle de questões ajuda, material arrumado ajuda muito. O que muda o sinal é a proporção, porque a ferramenta existe para servir ao estudo, e no dia em que ela come o horário do estudo, ela passou a atrapalhar exatamente aquilo que deveria facilitar.
Significa dizer que o perfeccionismo nos estudos engana justamente porque não tem cara de procrastinação. Ele vem vestido de produtividade, dá trabalho de verdade e deixa a mesa bonita no fim do dia.
Vamos a isso então? Separei quatro frases que eu escuto muito, e que quase sempre marcam o ponto em que organizar parou de ajudar a preparação.
“Só começo de verdade quando estiver tudo organizado”
Essa é a mais confortável das quatro, porque ela não dá culpa nenhuma: o dia inteiro passou trabalhando, e a sensação no fim é de dever cumprido. O problema é que o cronômetro do estudo não distingue arrumação de conteúdo, e a semana fecha do mesmo jeito.
Tem uma pergunta que resolve essa dúvida em dez segundos, e eu faria ela para mim mesma no fim de cada dia: o que eu sei hoje que eu não sabia ontem?
Se a resposta for “onde estão as coisas”, o dia foi de arrumação. Uma vez por mês, tudo bem. Três vezes por semana, não.
“Vou baixar mais um PDF, só por garantia”
O perfeccionismo também escolhe material, e nessa forma ele é mais caro e mais difícil de enxergar, porque parece cuidado. Mais um livro. Outro curso. Um segundo PDF da mesma matéria, porque o primeiro talvez não cubra tudo. Um professor novo, porque alguém no grupo disse que explica melhor.
O efeito é o oposto do que você foi procurar. Em vez de segurança, passa a existir uma sensação permanente de atraso, porque agora existe muito mais material do que tempo, e a distância entre os dois só cresce. Dois PDFs completos e estudados rendem mais do que nove baixados e abertos uma vez, entende?
“Amanhã eu passo esse resumo a limpo”
Resumo com letra caprichada, quatro cores e margem alinhada é uma delícia de olhar, e a correção da prova não vê nada disso. A sua anotação já cumpriu a função dela quando você entende o que escreveu, acha a informação rápido e consegue revisar por ela. Se cumpriu isso, está pronta, e os quarenta minutos que você passaria deixando ela bonita são tempo tirado da revisão.
Fazer resumo continua valendo, ok? O que atrapalha é quando ele fica tão longo quanto o material original, ou quando o tempo de deixar ele bonito passa o tempo de usar ele para revisar.
“Atrasei a semana inteira, vou refazer tudo”
Refazer o planejamento costuma ser mais uma forma de arrumação. Todo plano de vários meses vai quebrar em algum ponto: uma semana pesada no trabalho, uma matéria que demora o dobro do previsto, uma gripe, um edital que muda a rota. Isso é o funcionamento normal de qualquer plano longo, e não falha de planejamento.
Um plano que só se sustenta quando tudo dá certo vai te deixar na mão justamente nas semanas em que você mais precisa dele.
Na maior parte das vezes, o que eu faria é continuar de onde parou e ajustar o cronograma de estudos para concursos de Psicologia quando o desvio virar padrão, e não na primeira vez que ele acontece.
Cinco números que dizem mais do que a sua impressão do dia
O perfeccionismo se alimenta de avaliação subjetiva. Você olha a mesa, olha o caderno, olha a planilha colorida e sente que está indo bem, ou sente que está indo mal, sem nenhum dado dos dois lados. Cinco números tiram esse peso das suas costas, e nenhum deles depende de estética:
| O que medir | Por que esse número |
|---|---|
| Minutos estudados de fato | separa estudo de arrumação |
| Questões resolvidas | mostra se você saiu da teoria |
| Percentual de acerto | diz onde está a lacuna real |
| Erros revisados | é o que impede o mesmo erro na prova |
| Assuntos que avançaram | mostra qual matéria está sendo adiada |
Esses cinco dizem mais sobre a sua semana do que qualquer impressão, e eles têm uma vantagem grande: no dia ruim, eles mostram que você fez alguma coisa, que é justamente o que a sua cabeça naquele momento vai insistir em negar.
O que faz a sua preparação andar é a quantidade de coisa nova que entrou na sua cabeça hoje, e nenhuma pasta, planilha ou resumo colorido consegue produzir isso no lugar do estudo.
Perguntas frequentes sobre perfeccionismo nos estudos para concurso
Preciso terminar um PDF antes de mudar de matéria?
Não. Em quase toda preparação, alternar disciplinas dentro de um ciclo de estudos funciona melhor do que zerar uma matéria por vez.
Como sei se estou procrastinando disfarçadamente?
Some os minutos em que você estudou conteúdo, revisou ou resolveu questão, e compare com o tempo total que você passou “no concurso”. Se a diferença for grande em várias semanas seguidas, você já tem a resposta, percebe?
Vale a pena fazer resumo?
Vale, desde que ele seja mais curto que o material e sirva para revisar. Resumo que você nunca reabre é material novo, e não revisão.
O que eu faria hoje no seu lugar
Eu não abriria pasta nenhuma. Pegaria o material que você já tem, do jeito que ele está, e estudaria nele por trinta minutos. Sem renomear, sem reorganizar, sem procurar uma versão melhor.
No fim, anotaria uma linha: o que eu aprendi hoje que eu não sabia antes.
Faça isso por cinco dias e você vai ter cinco linhas na mão. Essas cinco linhas são a única prova de que a preparação andou. E se você quiser começar a olhar para onde essa preparação vai dar, veja os editais abertos para psicólogo antes de reorganizar qualquer outra pasta.
Nenhuma rotina de estudo garante aprovação, e eu não vou ser a pessoa que promete isso para você. O que existe é avanço, e ele raramente aparece na mesa arrumada.
Espero ter ajudado!
Bons estudos!
Com carinho,
Prof. Monique
Mentorias
Quando sobra material e falta caminho, o que resolve é ter alguém olhando a sua semana de fora. É o que a mentoria faz: define o que entra, o que sai e o que você mede.
Quem escreve
Psicóloga, servidora pública federal, professora e mentora de psis que estão se preparando para concursos públicos de Psicologia.
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Obrigada, psi!