Oi, Psi!
Neste artigo, vamos conversar sobre como treinar a prova discursiva de concurso de Psicologia, mesmo que o seu edital ainda não tenha saído e você não saiba exatamente qual será o formato.
A discursiva costuma ser deixada para o fim da preparação. E aí acontece uma coisa curiosa: a(o) candidata(o) chega na reta final sabendo bastante Psicologia e mesmo assim escreve mal a resposta. Escrever a resposta é uma habilidade separada de conhecer o conteúdo.
Dá para treinar discursiva bem antes de terminar o edital. Basta começar a produzir texto sobre os assuntos que você já estudou.
O que a discursiva cobra que a objetiva não cobra?
Na objetiva, a banca escreve o conteúdo e você reconhece se aquilo está certo ou errado.
Na discursiva, ninguém escreve para você. Você precisa recuperar a informação do zero, escolher o termo técnico correto, organizar as ideias numa ordem que faça sentido e caber no espaço que a banca deu.
São quatro coisas ao mesmo tempo, e nenhuma delas é treinada quando você só resolve questões de múltipla escolha.
Há ainda uma diferença de risco. A objetiva errada custa uma questão. A discursiva mal respondida pode custar a etapa inteira, quando o edital determina nota mínima nessa fase.
Por onde eu começaria: lendo o comando da questão
O comando é o verbo que diz o que a banca quer: “disserte sobre” pede um texto teórico; “explique” pede que você mostre o funcionamento de alguma coisa; “analise o caso apresentado” pede que você aplique a teoria àquela situação; “elabore o documento” pede que você produza uma peça, com a estrutura que a norma exige para ela.
Muita gente perde ponto aqui mesmo sabendo o conteúdo. Você escreve uma boa dissertação teórica, mas a banca havia pedido a análise de um caso. Por isso, antes de escrever qualquer coisa, eu sublinharia duas coisas no enunciado:
- o verbo de comando, que diz o que produzir;
- a delimitação, que diz sobre o que exatamente falar.
Se o enunciado pede a atuação da(o) psicóloga(o) no CRAS, você deve responder exatamente isso, e não uma descrição sobre a política de assistência social inteira.
O treino que rende mais em menos tempo
Escrever uma discursiva inteira leva bastante tempo, e é por isso que quase ninguém treina com a frequência que precisaria.
A técnica que eu usaria para resolver isso é o esqueleto.
Em vez de escrever o texto completo, você pega o enunciado e produz, em cinco a dez minutos, apenas o plano da resposta:
- o verbo de comando, escrito com as suas palavras;
- os blocos que a resposta vai ter, na ordem;
- o termo técnico, a norma ou a autora que precisa aparecer em cada bloco;
- a frase de fechamento, quando houver (em muitos casos, ela não é necessária).
Com o esqueleto você treina justamente a parte que a objetiva não treina, que é recuperar a informação e organizá-la. E consegue fazer vários no tempo de uma resposta completa.
Como eu organizaria a resposta
Em síntese, sua resposta deve ser capaz de facilitar a vida do examinador e responder ao que foi perguntado. Uma estrutura simples costuma dar conta da maioria das discursivas de Psicologia.
Uma abertura curta, que responde ao comando já na primeira frase. O desenvolvimento em blocos, com um bloco por ideia. E um fechamento curto, que amarra a resposta ao que foi perguntado.
Repare que a resposta começa respondendo. A banca precisa encontrar a resposta logo, e não depois de um parágrafo de aquecimento sobre a importância da Psicologia.
De onde tirar tema para treinar?
Da prova anterior da própria banca, sempre que existir. É a melhor fonte, porque mostra o formato real, o comando que a banca usa e o tipo de recorte que ela costuma pedir.
Quando não houver discursiva de Psicologia daquela banca, dá para produzir tema a partir do que você já tem em casa:
- pegue um item do conteúdo programático e transforme em comando: “Explique as atribuições da(o) psicóloga(o) na equipe de referência do CRAS”;
- pegue uma resolução do CFP que você estudou e peça a si mesma que explique o procedimento que ela determina;
- pegue uma questão objetiva difícil que você errou e transforme o assunto dela em comando.
Essa última é a que eu mais usaria, porque aproveita duas vezes o mesmo trabalho: você revisa o erro e treina a escrita no mesmo movimento.
Como corrigir a sua própria discursiva?
Sem alguém corrigindo, o risco é você reler o texto, achar bonito e não aprender nada. Por isso a correção precisa de critério, e não de impressão.
Eu conferiria a minha resposta com estas perguntas, nesta ordem:
| A pergunta | O que fazer se a resposta for não |
|---|---|
| Eu respondi ao verbo de comando que foi pedido? | Reescrever a resposta inteira. Esse erro sozinho derruba a nota |
| Eu fiquei dentro da delimitação do enunciado? | Cortar o que ficou de fora e usar o espaço para aprofundar o que foi pedido |
| A resposta ao comando aparece já na abertura? | Trazer para o começo a frase que responde |
| Eu usei os termos técnicos da Psicologia, e usei corretamente? | Voltar ao conteúdo e anotar o termo exato ao lado do esqueleto |
| Quando o assunto tem norma, eu indiquei qual é? | Marcar no material qual norma responde por aquele assunto |
| Alguém que não estudou o assunto entenderia a minha resposta? | Quebrar as frases longas e refazer a ordem dos blocos |
Guarde as respostas dessas perguntas ao longo das semanas. Se o mesmo item aparece com “não” várias vezes, ele deixou de ser um deslize e virou o seu padrão de erro na discursiva. É esse padrão que precisa entrar na revisão, e não o tema da questão.
Onde isso entra na sua semana?
Eu não criaria uma disciplina nova chamada “discursiva”. Ela ficaria dentro do bloco da própria matéria, no seu ciclo de estudos para concursos de Psicologia.
Na prática: terminou o bloco de Psicologia Social, faça um esqueleto de discursiva sobre o que acabou de estudar. São dez minutos, e o conteúdo ainda está fresco.
A resposta escrita por extenso eu trataria como um evento maior, do mesmo jeito que trato o simulado para concursos de Psicologia: com hora marcada, sem consulta e com o relógio contando.
Escrever à mão nesse dia também ajuda, porque a sua letra e o seu cansaço de mão fazem parte da prova real.
E vale lembrar de uma coisa que já falei aqui no blog: no dia da prova, não comece pela discursiva. Treinar bastante antes é justamente o que permite deixá-la para depois sem medo.
Se você ainda não tem provas anteriores para tirar temas de treino, reuni provas no banco de provas de Psicologia.
Bons estudos!
Com carinho,
Prof. Monique
Mentorias
Corrigir a própria discursiva com critério ajuda bastante, mas chega um ponto em que você precisa de alguém lendo o que escreveu e apontando o que a banca não perdoaria. Essa leitura é uma das coisas que a gente faz junto na mentoria, resposta a resposta, junto com o ajuste do seu ciclo de estudos.
Quem escreve
Psicóloga, servidora pública federal, professora e mentora de psis que estão se preparando para concursos públicos de Psicologia.
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Obrigada, psi!