Como memorizar conteúdo para concursos de Psicologia

19 de setembro de 2026
Arte em fundo vinho com a frase "Como memorizar o que você já estudou" e a marca Professora Monique Mistura.

Oi, Psi!

Há uma diferença importante entre reconhecer um conteúdo enquanto você relê o material e conseguir lembrar dele sem nada na frente. Falaremos sobre isso neste post!

Quando o assunto é novo, a leitura é indispensável, e às vezes você precisa ler mais de uma vez, porque um texto técnico raramente se abre por inteiro na primeira passada.

Isso não significa, porém, que a leitura repetida seja suficiente para que aquela informação esteja disponível no dia da prova.

Na prova, o material não está do seu lado. A banca apresenta uma alternativa com uma palavra trocada e espera que você decida se aquilo confere com o conteúdo, usando apenas o que conseguiu guardar.

Memorizar, em concurso, é conseguir recuperar a informação sem nenhuma ajuda do material. A releitura sozinha não treina essa recuperação.

A leitura repetida mostra o texto, e não o que você guardou dele

Quando você relê um resumo, tudo ali faz sentido, e a sessão termina com a sensação de que o assunto está resolvido. Essa sensação tem fundamento, porque você compreendeu mesmo o conteúdo. O que ela não mostra é se aquela informação sairia da sua cabeça caso o resumo não estivesse aberto.

Na leitura, o texto faz a parte mais difícil por você: ele apresenta a sequência das ideias, oferece os termos técnicos e organiza o raciocínio na ordem certa, de modo que você só precisa acompanhar.

No dia da prova, esse trabalho passa a ser seu, porque você precisa produzir o termo, a ordem e a diferença entre dois conceitos próximos sem que nada disso esteja escrito na sua frente.

Por isso a leitura repetida rende bem na primeira etapa do estudo, quando o objetivo ainda é compreender, e rende pouco quando o objetivo passa a ser lembrar.

Reconhecer uma informação é diferente de conseguir recuperá-la

Reconhecer é o que acontece quando a informação aparece pronta na sua frente e você confirma que já a viu antes.

Recuperar é o que acontece quando existe uma pergunta e você precisa produzir a resposta sozinha.

A prova objetiva parece pedir apenas o reconhecimento, já que as alternativas estão todas escritas ali, mas ela exige bem mais do que isso, porque as alternativas incorretas também são plausíveis e foram construídas com o vocabulário daquele assunto.

Quando você conhece o conteúdo só de vista, duas alternativas parecidas soam igualmente familiares, e a familiaridade deixa de servir como critério de escolha.

Exemplo: uma questão de Psicopatologia que troca um critério de duração, uma questão de ética profissional que substitui uma condição prevista no artigo e uma questão de políticas públicas que atribui um serviço ao equipamento errado funcionam da mesma maneira: elas separam quem reconhece o tema de quem consegue recuperar o detalhe.

É essa recuperação que o estudo precisa treinar antes do dia da prova.

A recuperação ativa é fechar o material e tentar lembrar antes de conferir

Recuperação ativa é o nome do procedimento em que você tenta trazer a informação de volta antes de olhar a resposta.

Funciona basicamente da seguinte forma:

  • escolha um ponto que você já estudou e feche o PDF, o resumo e o caderno;
  • escreva em uma folha, ou diga em voz alta, tudo o que você lembra daquele ponto;
  • abra o material e confira o que veio completo, o que veio pela metade e o que não veio;
  • marque o que faltou, porque é esse recorte que precisa voltar depois.

O passo que costuma ser pulado é o segundo. É ele que produz o efeito, porque o esforço de procurar a informação na memória torna essa mesma informação mais fácil de encontrar na próxima vez. Se você abre o material junto com a pergunta, voltou para a leitura.

Resolver questões também é recuperação ativa, e é a forma mais parecida com o que acontece na prova, porque o enunciado já vem com o recorte e a cobrança prontos.

A diferença entre as duas formas está no tamanho do que é testado. A questão mostra se você domina aquilo que a banca escolheu perguntar; a tentativa livre, com a folha em branco, mostra como você organizou o assunto inteiro e quais partes dele nem apareceram quando você foi lembrar.

As duas cabem na mesma semana de estudo, e uma não substitui a outra, ok?

Cada tipo de conteúdo de Psicologia pede uma pergunta diferente

Perguntar a si mesma o que você sabe sobre avaliação psicológica produz uma resposta vaga, porque o assunto é grande demais para uma tentativa só, e a sensação de fracasso que vem depois costuma ser da pergunta, e não do seu estudo.

Na tabela abaixo separei alguns conteúdos que aparecem nos editais de Psicologia e a pergunta que costuma servir para cada um deles.

O que você estudou A pergunta que testa a recuperação
Código de Ética e resoluções do Conselho Federal de Psicologia Quais são os deveres e vedações profissionais?
Classificações diagnósticas, como CID-11 e DSM-5-TR O que diferencia estes dois quadros próximos, e qual informação do enunciado permite separar um do outro?
Políticas públicas de saúde e de assistência social Qual serviço faz o quê, a quem ele atende e em que nível de atenção ele está?
Teorias do desenvolvimento e da personalidade Qual conceito pertence a qual teoria, e como aquela teoria define esse conceito?
Avaliação psicológica Quais exigências existem para usar um instrumento e para registrar o resultado em documento?

Repare que nenhuma dessas perguntas pede que você repita o material inteiro.

Cada uma delas pede a informação que a questão costuma cobrar, que é a condição, a diferença, a atribuição, a definição ou a exigência.

Quando você monta a pergunta assim, a tentativa deixa de ser um teste geral de memória e passa a ser um teste do detalhe que decide a alternativa.

Errar na hora de tentar lembrar faz parte do procedimento

Fechar o material expõe o que ainda não está pronto, e é comum evitar isso, principalmente quando a semana de estudo foi cansativa.

A tentativa que falha, no entanto, mostra o ponto exato em que a informação não está disponível. A releitura não entrega esse dado, porque, relendo, tudo parece conhecido.

O que você faz depois depende do resultado da tentativa.

Se não veio nada, o conteúdo ainda não entrou, e o caminho é voltar ao recorte específico que faltou, e não à aula inteira, para tentar novamente logo em seguida.

Se veio pela metade, o conteúdo entrou e ainda não está organizado, então vale reescrever aquele ponto com as suas palavras e testar de novo no dia seguinte.

Se veio inteiro, mas com esforço e demora, o assunto está disponível e precisa de mais algumas tentativas até sair com rapidez, porque na prova o tempo também conta.

Se veio inteiro e com facilidade, aquele ponto pode esperar mais tempo antes de voltar, e o seu tempo de revisão rende mais em outro conteúdo.

A mesma pergunta precisa voltar depois de alguns dias

Uma tentativa bem-sucedida hoje não garante que a informação continue disponível daqui a alguns meses, principalmente em conteúdos com muitos detalhes próximos, como as resoluções e as classificações.

Por isso a recuperação ativa não é um evento único: a mesma pergunta volta depois, com o material fechado, quantas vezes forem necessárias.

Eu não trabalharia com um número fixo de dias igual para todas as disciplinas, porque isso transforma um critério simples em mais uma planilha para administrar.

O critério que funciona é o resultado da última tentativa: o que veio completo e rápido pode esperar mais tempo, e o que não veio precisa reaparecer antes.

Essas retomadas também precisam de um lugar dentro da sua semana, porque revisão sem hora marcada é a primeira coisa que cai quando o dia fica curto. Expliquei como organizar essa estrutura no artigo sobre ciclo de estudos para concursos de Psicologia.

Perguntas frequentes

Reler o material nunca serve para nada?

Serve, e em dois momentos.

O primeiro é o contato inicial com o assunto, quando você ainda precisa entender o raciocínio, conhecer os termos técnicos e perceber como as partes daquele conteúdo se relacionam.

O segundo é a conferência que vem depois da tentativa, quando você abre o material para descobrir o que faltou e corrigir o que veio trocado.

O que rende pouco é usar a leitura como método único, repetindo o mesmo texto cinco vezes e esperando que a repetição da leitura produza sozinha a lembrança.

Fazer resumo e mapa mental conta como recuperação ativa?

Depende de como você faz.

Copiar o PDF para o caderno, com o material aberto ao lado, continua sendo leitura, porque o texto entrega a resposta antes de você tentar lembrar dela.

Escrever o resumo com o material fechado, e só depois abrir para conferir e completar, é recuperação ativa, porque a tentativa aconteceu primeiro.

O mesmo vale para o mapa mental: se os ramos são desenhados de memória e conferidos em seguida, ele testa o que você guardou; se são copiados, ele não mostra o que você guardou, porque a informação esteve à vista o tempo todo.

Grifar o material ajuda a memorizar?

Grifar ajuda a localizar a informação depois. Essa função é útil quando você volta ao material para conferir uma dúvida específica.

O grifo não obriga você a lembrar de nada, então ele não substitui a tentativa.

Uma forma de aproveitar o que já está grifado é transformar cada trecho marcado em uma pergunta escrita na margem, e usar essas perguntas depois, com o material fechado.

Isso funciona também para o texto das resoluções do Conselho Federal de Psicologia?

Funciona, e esse é o tipo de conteúdo em que a diferença entre reconhecer e recuperar mais aparece, porque a banca costuma trabalhar com a literalidade da norma.

A pergunta, aqui, precisa ser feita artigo por artigo, e não pela resolução inteira, já que cada artigo traz uma conduta, uma vedação, uma condição ou um prazo próprio.

Depois da tentativa, a conferência é feita no texto oficial da norma, e não no resumo, porque é a redação original que a questão reproduz ou altera.

Tratei desse tipo de leitura no artigo sobre o Código de Ética do psicólogo em concursos, e a lógica vale para as demais resoluções que aparecem nos editais de Psicologia.

O que eu faria hoje no seu lugar

Escolheria um único assunto que você estudou nesta semana e fecharia todo o material dele.

Em uma folha em branco, escreveria por alguns minutos tudo o que consegue lembrar daquele assunto, mesmo que saia desorganizado e incompleto.

Depois abriria o material e marcaria três coisas: o que veio completo, o que veio pela metade e o que não apareceu.

Essa lista de três colunas é mais útil do que uma nova leitura, porque ela diz o que precisa voltar antes na sua revisão e o que já pode esperar.

No dia seguinte, refaria a mesma tentativa apenas com o que não apareceu, e só então partiria para questões daquele assunto, para verificar se a informação também sai quando ela vem dentro de um enunciado de prova. Se você ainda não tem questões separadas para fazer esse teste, reuni provas anteriores no banco de provas de Psicologia.

Bons estudos!

Com carinho,

Prof. Monique

Mentorias

Depois de algumas tentativas com o material fechado, a lista do que não veio cresce e nem sempre é simples decidir sozinha o que volta antes, o que pode esperar e o que precisa de uma leitura nova da norma. Esse é um dos ajustes que a gente faz junto na mentoria, acompanhando o que as suas tentativas e os seus erros mostram semana a semana.

Conhecer as mentorias

Prof. Monique Mistura

Quem escreve

Prof. Monique Mistura

Psicóloga, servidora pública federal, professora e mentora de psis que estão se preparando para concursos públicos de Psicologia.

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Minha entrevista no podcast Como Passei!

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