Como manter a motivação para estudar para concursos de Psicologia

9 de setembro de 2026
Arte em fundo vinho com a frase "Como estudar nos dias em que falta motivação" e a marca Professora Monique Mistura.

Oi, Psi!

Existe uma ideia muito comum entre as(os) candidatas(os) que estudam para concursos de Psicologia: a de que primeiro é preciso estar motivada e só depois é possível sentar para estudar. Vamos conversar sobre isso neste post!

Ela aparece de vários jeitos: “estou desmotivada, preciso me organizar antes de voltar”, “hoje não estou no clima”, “semana que vem eu retomo com tudo”.

Eu entendo perfeitamente de onde vem essa ideia. Nos dias em que a vontade está alta, tudo funciona melhor. Você abre o material, entende rápido, resolve questões e termina o dia satisfeita. Nos dias em que ela não está, a mesma tarefa parece pesada demais… Só que a preparação para um concurso é longa, e nenhuma preparação longa se sustenta apenas nos dias bons.

A vontade de estudar costuma aparecer depois que o estudo começa. Quem estuda com frequência não está motivada todos os dias. Essa pessoa construiu uma rotina que precisa de poucas decisões para acontecer. É disto que eu quero falar aqui: como diminuir o número de dias em que a sua preparação depende de você estar inspirada.

De onde vem a ideia de esperar a motivação chegar

Ela vem de uma observação verdadeira: no dia motivado, você rende mais. Isso existe e eu não vou dizer o contrário. O que não se sustenta é a conclusão que se tira daí. Se o estudo só acontece quando a vontade aparece, a sua semana fica dependendo de uma coisa que você não controla.

E acontece uma segunda coisa, que eu vejo com muita frequência entre as alunas. Quanto mais tempo passa longe do material, mais difícil fica voltar… O conteúdo esfria, o planejamento atrasa e a cobrança aumenta. Aí a volta precisa ser cada vez maior, e por isso ela demora cada vez mais.

Constância não significa estudar todo dia com a mesma intensidade

Aqui costuma morar o mal-entendido. Muita gente entende constância como estudar todos os dias, sempre o mesmo tanto, sem falhar nenhuma vez. Eu trabalharia com outra ideia: o seu dia de estudos precisa ter uma versão cheia e uma versão mínima.

A versão cheia é o dia planejado, com aula, questões e revisão. A versão mínima é o que você faz quando o dia está ruim, e ela precisa ser pequena o bastante para caber num dia ruim de verdade. Chamamos isso de “mínimo estudo viável”.

O dia planejado A versão mínima do mesmo dia
Assistir à aula e resolver as questões daquele assunto Assistir só à aula, sem as questões
Ler uma resolução do Conselho Federal de Psicologia inteira e esquematizar Ler só os artigos que você já tinha marcado
Revisar três assuntos da semana Revisar um assunto, o mais recente

O objetivo da versão mínima não é aprender muito naquele dia. É não interromper a sequência, porque voltar depois de um dia fraco é fácil e voltar depois de duas semanas paradas é o que costuma travar a preparação.

Uma rotina previsível gasta menos vontade

Toda vez que você precisa decidir o que estudar, gasta um pouco de energia antes mesmo de começar. Quando a semana já tem uma sequência definida de disciplinas, essa decisão sai do seu dia. Você abre o material sabendo exatamente o que vem agora.

Por isso, quando uma aluna me diz que está desmotivada, uma das primeiras coisas que eu observo é se ela tem uma estrutura de estudos ou se decide do zero, todo dia, o que vai fazer.

Se você ainda decide na hora, eu resolveria isso primeiro. Expliquei uma forma de montar essa sequência no artigo sobre ciclo de estudos para concursos de Psicologia.

Estudar mal num dia ruim é melhor do que não estudar

Esse ponto é importante principalmente para quem tem o hábito de exigir demais de si mesma. Se o seu critério for “só vale se eu estudar bem”, o dia ruim vira dia perdido. E dia perdido vira semana perdida com muita facilidade.

Um estudo mais lento, com menos concentração, ainda deixa alguma coisa. Ele mantém o conteúdo perto de você e mantém o hábito de abrir o material, que é justamente o que você vai precisar na segunda-feira seguinte.

Falei sobre esse tipo de exigência no artigo sobre perfeccionismo nos estudos para concurso.

Parte da desmotivação vem de não enxergar o progresso

Quando você estuda semanas seguidas e não tem nenhum registro do que já foi feito, a sensação é de estar sempre no começo. Por isso eu manteria um registro simples: as aulas assistidas, os assuntos revisados, as questões resolvidas e os erros que se repetem. Pode ser uma folha de papel ou uma planilha bem básica. O que importa é você conseguir olhar para ela e perceber que a sua preparação andou.

Perguntas frequentes

Fiquei duas semanas sem estudar. Preciso refazer todo o meu planejamento?

Não. Eu retomaria pelo assunto em que você parou, na versão mínima, e só depois olharia o planejamento inteiro.

Refazer o plano antes de voltar a estudar costuma adiar a volta em mais alguns dias.

Estudar sem vontade rende alguma coisa?

Rende menos do que um dia bom, e ainda assim rende.

O que muda é o tipo de tarefa que eu escolheria. Num dia assim, eu deixaria para depois o conteúdo novo e mais difícil, e ficaria com revisão ou com questões de um assunto que você já estudou.

E se não for falta de motivação, e sim cansaço?

Pode ser, e isso muda o que fazer.

Antes de mexer no plano de estudos, eu observaria as suas horas de sono e a sua carga de trabalho. Um problema de cansaço não se resolve com mais cobrança em cima de você.

O que eu faria hoje no seu lugar

Não montaria um planejamento novo hoje, e também não tentaria compensar os dias parados.

Pegaria o assunto em que você parou e faria uma tarefa pequena dele agora. Uma aula. Um bloco curto de questões. Só isso.

Depois, escreveria num papel a versão mínima do seu dia de estudos, para ter o que fazer no próximo dia ruim sem precisar decidir nada naquela hora.

Não existe rotina que faça a vontade aparecer todos os dias, e eu nunca vou dizer para você que existe. O que dá para construir é uma preparação que continua andando nos dias em que ela não aparece.

Se você está voltando agora e quer reorganizar o começo, expliquei os primeiros passos no artigo sobre como começar a estudar para concursos de Psicologia.

Bons estudos!

Com carinho,

Prof. Monique

MENTORIA

Nas nossas mentorias, a sua rotina de estudos é acompanhada de perto: a gente olha o que coube na sua semana de verdade, ajusta a sequência das disciplinas de Psicologia e decide junto o que entra e o que sai do seu planejamento.

Conhecer as mentorias

Prof. Monique Mistura

Quem escreve

Prof. Monique Mistura

Psicóloga, servidora pública federal, professora e mentora de psis que estão se preparando para concursos públicos de Psicologia.

Ler a história completa da Prof. Monique

Gostou deste texto?