Oi, Psi!
A Psicologia Hospitalar e a Psicologia da Saúde são especialidades diferentes, reconhecidas pelo Conselho Federal de Psicologia, embora sejam muito próximas e costumem ser estudadas juntas na preparação para concursos.
Na Resolução CFP nº 23/2022, que reconhece as especialidades da Psicologia, a Psicologia da Saúde aparece com o nome de Psicologia em Saúde.
Essa distinção importa na prova, porque uma alternativa pode atribuir a uma das áreas o foco, o lugar ou o momento de atuação que pertencem à outra.
O que é Psicologia Hospitalar?
A Psicologia Hospitalar foi reconhecida como especialidade em 2001 e hoje está regulamentada pela Resolução CFP nº 23/2022, que reconhece as especialidades da Psicologia e descreve o que a(o) especialista faz em cada uma delas.
Segundo essa resolução, a Psicologia Hospitalar é a área de atuação referente aos fenômenos psicológicos que acontecem em hospitalizações, adoecimentos, recuperações, perdas e lutos.
Nessa área, a(o) psicóloga(o) hospitalar não trabalha para curar a doença. O trabalho é ajudar o paciente na elaboração simbólica do adoecimento, ou seja, ajudá-lo a redefinir a relação que ele tem com a doença e com a hospitalização.
O atendimento também não se limita ao paciente. A resolução prevê atendimento a familiares e cuidadores na pré-hospitalização, na internação e depois da alta, além da participação em equipes multiprofissionais, interconsultas, cuidados paliativos e situações de óbito.
Isso ajuda a reconhecer uma alternativa errada. Uma afirmação que restrinja a atuação da(o) psicóloga(o) hospitalar ao paciente, ou que a reduza à aplicação de testes para diagnosticar transtornos mentais, contraria o que a própria resolução descreve.
Qual é a diferença entre Psicologia da Saúde e Psicologia Hospitalar?
A diferença está no foco e no lugar da atuação.
As Referências Técnicas do CFP para atuação de psicólogas(os) nos serviços hospitalares do SUS, de 2019, descrevem a Psicologia da Saúde como a área que abrange a promoção e a manutenção da saúde, a prevenção e o tratamento de doenças, a identificação da etiologia das doenças e a melhoria do sistema de saúde.
A Psicologia Hospitalar tem um foco mais específico: a atuação em contextos hospitalares, com ênfase na experiência subjetiva do adoecimento e da hospitalização.
A Psicologia da Saúde, por outro lado, não fica restrita ao hospital. Ela também atua em unidades básicas de saúde, CAPS, escolas, instituições comunitárias e outros serviços do SUS, antes, durante e depois do adoecimento.
A tabela abaixo resume as diferenças que ajudam a separar as duas áreas:
| Dimensão | Psicologia da Saúde | Psicologia Hospitalar |
|---|---|---|
| Foco principal | Promoção da saúde, prevenção de doenças e melhoria da qualidade de vida da população | Experiência subjetiva do adoecimento, da hospitalização, da recuperação, das perdas e do luto |
| Onde atua | Unidades básicas de saúde, hospitais, escolas, instituições comunitárias e diferentes serviços do SUS | Hospitais, UTIs, enfermarias, ambulatórios hospitalares, UPAs e serviços de atenção terciária |
| Momento da intervenção | Antes, durante e depois do adoecimento, com ênfase em promoção e prevenção | Principalmente durante o adoecimento, a internação ou o agravamento da saúde |
| Público atendido | População em geral, indivíduos, famílias, grupos e comunidades | Pacientes hospitalizados, familiares, cuidadores e equipes de saúde do hospital |
Para diferenciar as duas áreas em uma questão, observe o momento e o objetivo da intervenção. Se o enunciado fala de um programa no território, de prevenção ou de redução de fatores de risco na população, a referência é a Psicologia da Saúde. Se fala do paciente internado, da família dele e da equipe do hospital, a referência é a Psicologia Hospitalar.
Como o atendimento acontece dentro do hospital?
No hospital, a atuação da(o) psicóloga(o) é atravessada pela instituição, com regras, rotinas, uma dinâmica acelerada e acontecimentos inesperados, e com condutas compartilhadas com profissionais de outras áreas.
Os atendimentos começam por solicitação de consulta ou por busca ativa, e a(o) psicóloga(o) vai até o leito do paciente. Por isso, o setting terapêutico, na maioria das vezes, acontece à beira do leito e precisa ser adaptado a interferências como a televisão ligada ou pessoas circulando.
A intervenção pode ser breve, e às vezes única, porque depende do tempo de internação de cada paciente. As Referências Técnicas do CFP explicam que não há horário definido nem dias marcados: o atendimento depende da necessidade emocional da pessoa assistida e das rotinas do tratamento, como curativos e exames.
As Referências Técnicas também lembram que o paciente não foi ao hospital procurar a(o) psicóloga(o), e sim cuidados médicos. Isso explica por que ele pode não compreender a oferta de atenção psicológica e por que pode recusar o atendimento, mesmo quando há indicação médica.
A escuta, no hospital, se estende a três grupos: a pessoa assistida, a família e a instituição. A família entra porque o adoecimento afeta todo o sistema familiar, e a equipe entra porque a angústia diante do adoecimento também atinge os profissionais que cuidam do caso.
Por isso, uma alternativa que descreva o atendimento hospitalar com sessões de 50 minutos, divã, horário fixo ou um setting igual ao do consultório está errada, porque desconsidera a realidade institucional que as Referências Técnicas descrevem.
Quais conceitos da Psicologia da Saúde sustentam a Psicologia Hospitalar?
Alguns conceitos da Psicologia da Saúde são a base da Psicologia Hospitalar, e vale conhecê-los antes de avançar para os autores específicos da área.
O modelo biomédico, que predomina na medicina, considera as doenças principalmente como resultado da invasão por vírus, bactérias ou outros patógenos, e tende a deixar de lado os fatores psicológicos, sociais e comportamentais.
A perspectiva biopsicossocial responde a essa limitação. Ela entende que a saúde e a doença resultam da interação entre fatores biológicos, psicológicos e sociais, e é nessa perspectiva que a Psicologia Hospitalar se apoia. Por isso, uma afirmação de que a doença é sempre a expressão de conflitos psíquicos inconscientes, com os fatores biológicos e sociais em segundo plano, está errada.
A medicina psicossomática, com Freud e Franz Alexander, defendeu que conflitos inconscientes podem ter impacto direto na saúde física. Ela perdeu espaço, entre outros motivos, porque a ideia de que um único problema psicológico poderia desencadear uma doença física foi considerada simplista demais.
A Carta de Ottawa, de 1986, é um marco da promoção da saúde. Para a OMS, promover saúde é capacitar indivíduos e comunidades para aumentarem o controle sobre a própria saúde, e por isso a autonomia é um dos princípios centrais desse paradigma.
Os níveis de atenção também aparecem junto com a Psicologia Hospitalar. A atenção primária acontece nos postos de saúde, a secundária nos ambulatórios, com especialidade médica, e a terciária, de alta complexidade, nos hospitais.
Por fim, a(o) psicóloga(o) hospitalar cuida de dois tipos de relação: as relações fundamentais, com o paciente, e as relações paralelas, com a família, o médico e a equipe de saúde.
Como estudar Psicologia Hospitalar para concursos?
Na área da saúde, o estudo de Psicologia passa por psicopatologia, psicodiagnóstico, psicologia clínica e legislação do SUS, além da legislação da saúde de uma maneira geral.
A Psicologia Hospitalar acrescenta uma parte específica, que inclui psicologia institucional e alguns autores próprios da área.
Para quem presta concurso na área da saúde, os conceitos de clínica e de diagnóstico costumam ser familiares. Isso faz com que a Psicologia Hospitalar não seja, para essas(es) candidatas(os), um conteúdo complexo.
O estudo segue a mesma forma do estudo de clínica e de diagnóstico: a leitura do material vem primeiro, e a videoaula entra como apoio nos pontos em que você teve dificuldade.
A legislação pede outro método. Nela, eu priorizaria a lei seca, com repetição: ler o texto da norma várias vezes, em rodadas, em vez de começar pela videoaula, porque nas normas a questão depende do que está escrito no próprio documento.
A videoaula de legislação fica para quando você leu o texto e não entendeu aquela parte.
As resoluções do CFP entram nesse mesmo método, porque normativo se estuda como legislação. Isso vale para a Resolução CFP nº 23/2022, e as Referências Técnicas do CFP para os serviços hospitalares do SUS também merecem a leitura no original.
A legislação do SUS tem um artigo próprio aqui no blog, sobre políticas públicas de saúde em concursos de Psicologia, e a lei da saúde mental também, no artigo sobre a Lei 10.216 e a Reforma Psiquiátrica em concursos.
Perguntas frequentes
A Psicologia Hospitalar faz parte da Psicologia da Saúde?
Existem críticas que sugerem que a Psicologia Hospitalar deveria ser parte da Psicologia da Saúde, e dá para entender de onde vem essa ideia, porque as duas áreas compartilham muita coisa.
As duas precisam compreender o contexto de atuação e conhecer temas como epidemiologia, fatores psicossociais de risco, mecanismos de proteção à saúde e colaboração entre profissionais. A formação, nas duas, também passa por Saúde Pública, políticas públicas de saúde e SUS.
Ainda assim, os enfoques são diferentes. A Psicologia Hospitalar lida com a subjetividade em contextos de adoecimento e de morte, enquanto a Psicologia da Saúde abrange a promoção e a prevenção em uma variedade de serviços de saúde.
E o Conselho Federal de Psicologia reconheceu as duas como especialidades próprias na Resolução CFP nº 23/2022, que lista a Psicologia Hospitalar e a Psicologia em Saúde.
A(o) psicóloga(o) hospitalar faz avaliação psicológica?
Faz. A Resolução CFP nº 23/2022 prevê que a(o) especialista em Psicologia Hospitalar faça a avaliação psicológica do estado mental das pessoas atendidas e dos familiares, e proponha intervenções psicoterápicas de acordo com protocolos clínicos.
O que a resolução não permite é reduzir a atuação a isso. A mesma lista inclui atendimento a familiares, assistência psicológica a pessoas hospitalizadas em situação de crise, cuidados paliativos, interconsulta, registro em prontuário multidisciplinar, projetos de humanização e participação na formação de outros profissionais da saúde.
O paciente internado pode recusar o atendimento psicológico?
Pode, mesmo quando há indicação ou encaminhamento médico. Ninguém é obrigado a se submeter a uma intervenção psicológica no hospital.
Isso se liga ao que as Referências Técnicas dizem sobre a disponibilidade do paciente: ele foi ao hospital em busca de cuidados médicos, e a(o) psicóloga(o) precisa respeitar os limites da própria atuação para não se tornar mais um elemento invasivo na experiência da hospitalização.
O que eu faria hoje no seu lugar
Eu abriria a Resolução CFP nº 23/2022 e leria, no texto original, a definição de Psicologia em Saúde, que é o nome que a resolução dá à Psicologia da Saúde, e a de Psicologia Hospitalar, uma depois da outra.
Depois, tentaria dizer sem olhar qual é o foco e onde atua cada uma das duas. Se as duas definições se misturarem, você já sabe qual ponto precisa voltar a ler antes de seguir para as questões.
Se você prefere estudar com esse conteúdo já filtrado para a prova, com as normas do CFP e questões comentadas, pode conhecer os nossos cursos de Psicologia para concursos.
Bons estudos!
Com carinho,
Prof. Monique
Cursos de Psicologia para concursos
Nos nossos cursos, a Psicologia da Saúde e a Psicologia Hospitalar chegam filtradas para a prova, com a leitura das normas do CFP e questões comentadas, para que você não precise descobrir sozinha(o) o que priorizar em cada fonte.
Quem escreve
Psicóloga, servidora pública federal, professora e mentora de psis que estão se preparando para concursos públicos de Psicologia.
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Obrigada, psi!